
Em meio a linhas traçadas com grande esmero técnico, uma intensa relação entre o real e o imaginário. Na tentativa de representar as novas partes do mundo recém descobertas, a partir do século XVI os europeus produziram milhares de mapas das Américas e do Brasil, que, muito além dos contornos territoriais, eram capazes de revelar medos, crenças e expectativas da sociedade da época. Afinal, as mesmas mãos responsáveis por traçar o desenho de rios e continentes produziam, com grande arte, mapas repletos de seres fantásticos, ao lado de coisas e criaturas reais existentes nessas novas terras.
A partir de 12 de agosto, o público terá a oportunidade de conhecer esta e outras curiosidades da fascinante história da cartografia, área que concentra algumas das mais importantes elaborações artísticas e intelectuais do homem ao longo dos séculos. Basta que os visitantes sigam, sem necessidade de mapas, até a rua Jornalista Djalma de Andrade, 1.250, no Belvedere, em Nova Lima (MG), onde fica a Casa Fiat de Cultura, que abrigará, até 5 de outubro, a exposição A Arte nos Mapas na Casa Fiat de Cultura: uma viagem pelos quatro cantos do mundo.
Os visitantes da mostra irão testemunhar a representação geográfica das conquistas do homem europeu na ampliação de seus territórios no mundo, segundo a visão artística dos cartógrafos. Além disso, poderão apreciar a evolução do conhecimento científico nas técnicas de criação cartográfica, assim como a importância dos mapas para a formação da história de um país. O objetivo da exposição é mostrar, de forma didática e lúdica, as diferentes visões sobre o Brasil, correntes entre os séculos XVI e XIX, por meio do traçado e das ilustrações dos mapas do período, hoje objetos de arte valorizados como itens de coleção.
A exposição reúne 53 peças cartográficas de acervos de grandes instituições, como a Fundação Biblioteca Nacional, o Banco Real, o Instituto Ricardo Brennand, a Biblioteca Guita e José Mindlin, além de coleções particulares. Segundo a doutora e professora de antropologia da Universidade de São Paulo, Maria Lucia Montes, responsável pela edição e difusão de textos da mostra, os mapas expostos são obras raríssimas, às quais dificilmente o visitante teria acesso. "Ao observar esses mapas, o espectador realizará uma extraordinária viagem pelo espaço e pelo tempo", ressalta.
Na opinião da professora, trata-se de oportunidade educacional ímpar para se conhecer um outro olhar sobre o Brasil, construído a partir de relatos de viagem, imaginação e arte, ao lado do conhecimento científico na representação cartográfica. "Diante dessa outra e fascinante realidade que os mapas revelam, o ensino da geografia e da história torna-se uma realidade mais viva na escola", completa.
A possibilidade de uma viagem no espaço e no tempo é também ressaltada por José Eduardo de Lima Pereira, presidente da Casa Fiat de Cultura, como um dos principais fascínios da exposição. "Os cartógrafos mapeiam a realidade por meio do imaginário. De naufrágios a conquistas, os mapas retratam a intensidade com que os homens buscaram desvendar os quatro cantos do mundo".
Com apoio do Ministério da Cultura, por intermédio da Lei Rouanet, a exposição, organizada pela Expomus, tem curadoria científica de Dante Luiz Teixeira, professor do Museu Nacional do Rio de Janeiro. A mostra é uma realização da Casa Fiat de Cultura, com patrocínio da Fiat Automóveis e parceria do Banco Real.
Módulos
A exposição A Arte nos Mapas na Casa Fiat de Cultura: uma viagem pelos quatro cantos do mundo será dividida em quatro módulos. O primeiro, A Arte nos Mapas, reúne nove obras. Já A Terra dos Papagaios e O Mapa de Marcgrave contam com 13 peças cada. Por fim, em As quatro partes do mundo, há 18 mapas.
A Arte nos Mapas
Durante o século XIX, os trabalhos dos cartógrafos renascentistas passariam gradativamente a ser considerados suntuosos itens de coleção, dignos de apreço por suas qualidad